Direito Civil

Danos Morais: Como Calcular o Quantum Indenizatório

Uma das questões mais frequentes no foro cível é: quanto vale uma indenização por danos morais? Não existe tabela oficial, mas o STJ desenvolveu critérios consistentes que permitem ao advogado fazer uma estimativa fundamentada e ao juiz fixar um valor equitativo.

18 de março de 2026 7 min de leitura

O que são danos morais e seu fundamento legal

Danos morais são lesões a direitos da personalidade — honra, imagem, intimidade, dignidade, nome — que causam sofrimento, humilhação ou abalo psicológico à vítima. Seu fundamento principal está no Art. 5º, X da Constituição Federal e no Art. 186 e 927 do Código Civil.

O Art. 944 do CC estabelece que a indenização deve ser medida pela extensão do dano, e o Art. 945 permite redução proporcional quando a vítima concorreu culposamente para o evento.

Os critérios do STJ para fixação do quantum

O STJ consolidou os seguintes critérios para fixação do valor dos danos morais:

  • Extensão do dano: gravidade da ofensa, repercussão na vida da vítima, sequelas físicas ou psicológicas.
  • Grau de culpa do ofensor: dolo (intenção) ou culpa grave justificam valores maiores.
  • Capacidade econômica das partes: a indenização deve ter efeito pedagógico para o ofensor sem enriquecer ilicitamente a vítima.
  • Caráter punitivo-pedagógico: especialmente em casos de reiteração ou quando o dano é praticado por grandes empresas como política comercial.
  • Proporcionalidade e razoabilidade: o valor não pode ser ínfimo (ineficaz) nem exorbitante (enriquecimento sem causa).

Valores de referência por tipo de dano

Com base em precedentes do STJ e TJs, estes são valores frequentemente praticados (em 2024):

  • Inscrição indevida em SPC/Serasa: R$ 5.000 a R$ 15.000 (casos simples).
  • Negativação indevida por banco: R$ 10.000 a R$ 30.000 (a depender do tempo e impacto).
  • Assédio moral no trabalho: R$ 5.000 a R$ 50.000 (conforme gravidade e duração).
  • Acidente de trânsito com lesão: R$ 10.000 a R$ 100.000+ (conforme sequelas).
  • Morte de familiar próximo: R$ 80.000 a R$ 300.000 por vítima indireta (dano reflexo ou por ricochete).
  • Erro médico sem sequela grave: R$ 15.000 a R$ 80.000.

Esses valores são referências — cada caso é único e o juiz tem ampla discricionariedade.

Como fundamentar o pedido de danos morais na petição

Para maximizar as chances de êxito, a petição deve:

  • Descrever detalhadamente os fatos e o impacto na vida do autor (dificuldades para obter crédito, constrangimentos, abalo psicológico).
  • Juntar provas: prints, relatórios médicos, atestados, testemunhas.
  • Citar precedentes do STJ com valores próximos ao pedido (Sistema RISTJ permite busca por assunto).
  • Apresentar o pedido em valor certo, suficientemente fundamentado — valores genéricos como "no mínimo R$ 10.000" são menos convincentes.

Pesquise precedentes do STJ sobre danos morais no Lei na Mão

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Perguntas frequentes

Dano moral precisa de prova?+
Depende. Há danos morais in re ipsa — presumidos pela própria situação (negativação indevida, por exemplo). Para outros danos, como o assédio moral, exige-se prova. O STJ distingue os casos: danos decorrentes de situações objetivamente humilhantes dispensam prova do sofrimento.
Pessoa jurídica pode sofrer dano moral?+
Sim. A Súmula 227 do STJ estabelece que a pessoa jurídica pode sofrer dano moral. O dano se refere à honra objetiva da empresa — sua reputação, credibilidade e imagem no mercado, não ao sofrimento psicológico.
Qual o prazo para entrar com ação de danos morais?+
3 anos, conforme Art. 206, § 3º, V do Código Civil (reparação civil). O prazo conta da data do fato danoso ou de quando a vítima tomou conhecimento do dano e sua autoria.
O valor pedido na inicial limita a condenação?+
Após a reforma do CPC/2015 (Art. 492), a sentença não pode ser ilíquida em danos morais: o juiz deve fixar um valor. E o pedido inicial não vincula o juiz em danos morais — ele pode fixar valor diferente do pedido, para mais ou para menos, pois usa critérios de equidade (Art. 953 CC).

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